Vítimas do sistema

Jogador errado no lugar errado

Jogador errado no lugar errado

Richard Jefferson chegou ao San Antonio Spurs como a peça que faltava para completar o quebra-cabeça do título. Com o envelhecimento de Tim Duncan e Manu Ginobili, o ala parecia o nome certo para substituir Bruce Bowen e dar continuidade ao trabalho vitorioso de Gregg Popovich à frente da franquia texana. O casamento de Jefferson com o Spurs, no entanto, foi pouco frutífero. O camisa 24 teve problemas para se adaptar ao esquema do Coach Pop e viu seu estilo de jogo ser moldado radicalmente durante as três temporadas em que permaneceu no Texas.

Em suas passagens por New Jersey Nets e Milwaukee Bucks, Jefferson tinha como característica principal o vigor físico e a capacidade de criar jogadas infiltrando nas retaguardas adversárias. Em San Antonio, contudo, o atleta se viu obrigado a largar basicamente tudo o que estava acostumado a fazer para se tornar um arremessador da zona morta. Popovich e R.C. Buford queriam repetir o case de sucesso envolvendo tiros de três pontos e defesa de qualidade, marcas registradas do ala antecessor. Acontece que, talvez na pressa por conquistar um novo título, a diretoria alvinegra acabou escolhendo o jogador errado para o elenco.

Jefferson nunca foi um grande arremessador de longa distância, tampouco um defensor completo. É verdade que ele vinha de uma temporada chutando quase 40% dos três pontos, mas seu retrospecto nas bolas longas dava margem à desconfiança. Neste ponto, Gregg Popovich até que conseguiu fazer um bom trabalho e o transformou num atirador perigoso da zona morta. Defensivamente, todavia, Jefferson era fraco. Esforçado, vale dizer, mas limitado.

Essa falta de planejamento estratégico somada a um altíssimo salário custou muito ao San Antonio Spurs. Richard Jefferson era o jogador errado no lugar errado e sua passagem pelo Texas foi um dos maiores fiascos da história recente da NBA. Felizmente, alguém percebeu tal inconformidade antes da aposentadoria do Big 3 e tratou de despachá-lo. Em troca, veio Stephen Jackson, mas isso já é outra história.

O intuito deste post, que é inspirado num artigo do site americano Pounding The Rock, é alertar que o que vou chamar de Síndrome de Jefferson pode estar acontecendo novamente. A vítima da vez é Nando De Colo. É claro que aqui temos um caso em menor escala, uma vez que o francês chegou do basquete espanhol sem tanto alarde, mas o princípio é praticamente o mesmo. De Colo é um cara criativo, de improviso e estilo único. Seu talento salta aos olhos (embora ele tenha dado umas mancadas por aí), contudo, suas habilidades têm pouca utilidade para a equipe atualmente. Sobra para Popovich tentar reformular seu jeito de jogar, o que ele tem feito desde a Summer League.

O camisa 25, no entanto, parece incapaz de se reinventar e vem perdendo cada dia mais espaço em San Antonio. Em seu último ano de contrato, o francês já demonstrou descontentamento com a falta de tempo de quadra e poderá ir embora ao final da temporada. Se isso realmente ocorrer, será um final triste para alguém que tinha um potencial enorme e um futuro brilhante no Spurs. Infelizmente, esse deve ser outro caso de atleta errado no momento errado e no time errado.

3 Respostas para “Vítimas do sistema

  1. É que às vezes é difícil encontrar o cara certo dando sopa. Quando o tal cara existe, é difícil convencê-lo a vir jogar no interiorzão do Texas em uma franquia que chega a ser anti-midiática. Me lembro que nessa época o Spurs tentou trazer o Shane Battier e o ala rejeitou San Antonio pra ir jogar em Memphis, se não me engano. Desde que o Bowen saiu o Spurs buscava um jogador de forte defesa e boa porcentagem de tiros do perímetro. Battier não veio, o Spurs tentou com Jefferson e não deu certo. Mesmo depois da vinda do Jack o Bufford continuou tentando trazer o Battier, talvez prevendo que o Jack não duraria muito tempo. Finalmente achamos no Leonard esse cara. Kawhi, aliás, é muito mais negócio do que qualquer um deles, mas ainda falta o reserva pra ele e eu me alegraria se o R. C. não desistisse do Battier ainda.

    Eu gostaria que o Nando desse certo. Se ele chutasse melhor poderia se fixar na posição 2 e o Marco poderia ir pra reserva do Leonard na 3. Assim os SGs do time seriam o Green, o Manu e o Nando, um time com dupla armação. Mas mesmo assim seria difícil encaixar ele.

    • Sim, tentativas não faltaram para substituir o Bowen. Tentaram também o Udoka, mas tudo sem sucesso. À época, a contratação do Jefferson parecia excelente, lembro que realmente achei que ele era a peça que faltava para o quinto título. No entanto, naquela época a gente não tinha o acesso à NBA como nós temos hoje, com League Pass e o caramba, então pra nós daqui do Brasil principalmente era muito difícil fazer uma análise mais aprofundada do RJ, sobretudo defensivamente.

      Com o tempo percebeu-se que contratá-lo foi muito errado. Defensivamente ele é abaixo da média e ofensivamente ficou devendo muito (sempre deixava a desejar em playoffs, por exemplo). Como você disse, encontrar a peça certa às vezes é difícil, mas o Spurs definitivamente apostou no cara errado. Felizmente encontramos o Leonard mesmo!

      Quanto ao De Colo, eu meio que já perdi minhas esperanças nele. Acho ele talentoso e acho que ele tem futuro na liga, mas não em San Antônio e por uma série de fatores. O principal deles, pra mim, é que hoje não espaço pra ele no time (caso parecido ao do James Anderson há algum tempo atrás).

  2. Pingback: 15 anos de glórias e perdas em vídeos | Destino Riverwalk·

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