A derrota do planejamento

Muito mais triste do que parece…

Uma das cenas mais tristes dos últimos tempos foi ver Kevin Durant chorando abraçado aos pais após a derrota para o Miami Heat na final da NBA. Durant era (ainda é, na verdade) o líder de uma equipe jovem e tinha o sonho de conquistar seu primeiro título, mas seus planos foram por água abaixo.

Tristezas à parte, esse revés do Oklahoma City Thunder pode abrir um precedente perigoso na principal liga de basquete do mundo – e eu explico o porquê em uma breve retrospectiva.

Em 2007, quando o Thunder ainda “morava” em Seattle e tinha o sobrenome de SuperSonics, a franquia entrou no rebuild mode, ou seja, jogou tudo pro o alto e começou do zero. O responsável por isso foi o general manager Sam Presti, que vinha obtendo destaque como assistente de R.C. Buford no San Antonio Spurs.

Um dos primeiros movimentos de Presti à frente do Sonics foi trocar o superstar Ray Allen. Na oportunidade, ele parecia estar fazendo uma loucura, pois se livrou de seu principal atleta em troca de uma quinta escolha de Draft (viria a ser Jeff Green) e de jogadores pouco badalados, como Wally Szczerbiak e Delonte West. Na sequência, o GM despachou o outro queridinho de Seattle, Rashard Lewis.

Em meio a isso tudo, o Sonics, que tinha o segundo lugar no Draft da temporada 2007-08, recrutou o badalado Kevin Durant. O astro mal teve tempo de se acostumar à nova casa e a franquia mudou de ares. Junto a essa nova mudança, em 2008-09, e após um ano com 62 derrotas e apenas 20 vitórias, Sam Presti tinha a chance de reformular de vez sua equipe.

Com duas escolhas de primeira rodada, ele selecionou Russell Westbrook e Serge Ibaka, dois atletas que formariam, junto com Durant, a base desse Oklahoma City Thunder vitorioso.

Que consequências isso pode trazer para a NBA?

Por outro lado, o Miami Heat trilhou um caminho bem diferente. Cansado de perder, o principal astro da franquia, Dwyane Wade, convenceu os também estelares LeBron James e Chris Bosh a se juntarem a ele em South Beach. A ideia de montar um time galático e passar por cima de todo mundo deu certo, tanto que o Heat chegou a duas finais consecutivas desde que optou por isso.

Essa nova alternativa foi vista com bons olhos pelos jogadores da NBA. Muitos deles deixaram suas equipes em busca de um primeiro título ao lado de outras estrelas. Foram os casos de Chris Paul, que abandonou o New Orleans Hornets e se juntou a Blake Griffin em Los Angeles, e Carmelo Anthony, que saiu do Denver Nuggets para jogar com Amaré Stoudemire em Nova York.

Outro caso parecido é o de Deron Williams. Ídolo no Utah Jazz, D-Will jogou tudo pro alto só de pensar na possibilidade de atuar ao lado de Dwight Howard no New Jersey Nets. O plano, à princípio, foi um enorme fracasso, mas pode ser concretizado agora que o Nets se mudou para o Brooklyn e que D12 está mais de saco cheio do que nunca do Orlando Magic.

Na grande final da última temporada, portanto, estavam frente-a-frente duas franquias completamente opostas: o Oklahoma City Thunder, do planejamento, e o Miami Heat, da oportunidade. A vitória de LeBron James e companhia foi merecida e incontestável, mas foi também um duro golpe nos mercados pequenos que trabalham muito para formar um time forte.

Como disse lá no começo do texto, isso abre um precedente perigoso. Podemos estar diante da derrocada dos small markets. As equipes galáticas, montadas sempre nas grandes metrópoles, viraram moda na NBA e boa parte das estrelas parece só pensar em uma coisa: se juntar a um semelhante para conquistar um anel (ou vários).

Procura-se um anel

O exitoso caso prático está aí para todos verem, e agora até os veteranos em final de carreira recorrem a essa alternativa. É o caso de Ray Allen, que foi do Boston Celtics para o Miami Heat sem pensar duas vezes. Outro que acaba de fechar com a franquia da Flórida é Rashard Lewis. Coincidentemente, Allen e Lewis formavam o pilar principal daquele Seattle SuperSonics citado lá no começo do artigo. Coisas do basquete…

9 Respostas para “A derrota do planejamento

  1. Ótimo texto, Bruno. Mas eu acho que essa nova CBA pode ajudar os times de menor mercado a terem condições de brigar de igual para igual com as franquias maiores. E eu particularmente torço demais para que isso aconteça, pois a NBA ficará muito mais equilibrada e emocionante.

      • Com certeza. Eu, inclusive, usaria o modelo fantástico do Spurs como um exemplo para o Hornets. E com Monty e Demps, duas crias de vocês, eu acho que a ideia é essa mesmo. Abço.

      • Verdade. Como eu disse lá naquele artigo, boto uma fé no Hornets…

  2. “Uma das cenas mais tristes dos últimos tempos na NBA foi ver Kevin Durant chorando abraçado aos pais após a derrota para o Miami Heat na final da Conferência Oeste”

    Não seria Final da NBA mesmo? Abraços, parabéns por esse novo empreendimento, continuarei seguindo o site.

    • Putz, pode crer. Me confundi, mas obrigado por me corrigir e obrigado pelo elogio🙂

      Abraços,

  3. Cara, excelente seu blog! Apesar de não torcer pro Spurs, tô lendo e curtindo bastante. Parabéns!

  4. Pingback: Fim da linha com dignidade | Destino Riverwalk·

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