As disparidades que rondam o basquete americano

Vamos apostar em quem ganha menos dinheiro nesse trio?

Quem vê os jogos da WNBA na TV (os poucos que passam aqui no Brasil) pode pensar que as atletas, além de bonitas, também ganham os mesmos salários astronômicos que os jogadores da NBA. Quem partiu desse pressuposto deve começar a rever seus conceitos. Chegar à carreira profissional é o sonho de toda universitária que pratica o esporte nos Estados Unidos. Mas, o que quase ninguém aqui sabe é que os salários da liga feminina de basquete chegam a ser ridículos se comparados ao que ganham os superstars da NBA.

Para se ter uma idéia, vamos comparar: o teto salarial da WNBA é 878 mil dólares por ano (em 2012), enquanto o da NBA é US$ 60 mi (valor aproximado para a temporada 2012-13), ou seja, todo o dinheiro que circula referente a salários na liga feminina corresponde a apenas 1,39% da grana movimentado dentro da masculina.

Com base nesses dados, na NBA, cada jogador que componha uma equipe de 12 atletas ganha, em média, US$ 5 mi de dólares/ano, enquanto na WNBA, o mesmo elenco, com as mesmas 12 jogadoras, ganha em média a ínfima quantia de 73 mil dólares/ano, o que dá pouco mais de seis mil dólares por mês.

Estrela na WNBA, Jackson ganha menos que um jogador de quinta categoria na NBA

Continuando com as disparidades: o ordenado inicial de uma novata varia de 35 a 44 mil dólares/ano de acordo com seu lugar no Draft. Já na NBA, a primeira escolha do recrutamento tem direito a um salário superior a US$ 4 mi. Agora pasmem: um jogador medíocre recém-saído do college ganha uma quantia que varia de 440 a 850 mil dólares/ano. Bizarro, né?

Para quem começou a ler o artigo e está um pouco desatento, volte um pouco e veja que o teto salarial da WNBA é US$ 878 mil, ou seja, um atleta de nível D na NBA ganha quase o mesmo – ou até mais – que toda uma equipe da liga feminina. Para finalizar os comparativos envolvendo salários, o ordenado máximo possível que uma jogadora pode receber é pouco maior que cem mil dólares/ano, ao passo que na NBA esses valores ultrapassam a casa dos US$ 20 mi.

Com tantos números e contas, a pergunta que fica é: onde eu quero chegar com isso? A resposta é simples: é inadmissível ver tamanha disparidade. Para situar um pouco mais o leitor, a maior parte das jogadoras que atua nos EUA também joga no basquete europeu.

Mas como isso funciona? A temporada da WNBA é relativamente curta (maio a outubro), depois há um período de férias e o resto do calendário é ocupado pelos campeonatos europeus. E é no Velho Continente que as jogadoras conseguem ganhar um bom dinheiro. Lá, as equipes valorizam mais as profissionais e pagam salários decentes. Uma atleta de alto nível chega a receber em meio ano o equivalente a seis ou sete temporadas de WNBA – por esse motivo se torna vantajoso vestir a camisa de dois times. A liga americana continua sendo mais importante e valorizada, mas, quando surge uma oportunidade de encher o bolso e ainda manter o ritmo de jogo, por que deixá-la passar?

É claro que existem motivos que facilitam isso tudo. Primeiramente, a WNBA é uma liga que tem baixo apelo por parte do público norte-americano. Dificilmente se vê um ginásio lotado como vemos na NBA. A publicidade também é muito menor e a culpa disso tudo é dos próprios times.

Como assim? Boa parte das equipes está filiada à franquia masculina, por exemplo: San Antonio Spurs e San Antonio Silver Stars. O que acontece é que 95% dos investimentos acabam sendo direcionados ao time da NBA, e o porquê disso é óbvio: só se coloca dinheiro onde se tem retorno. O basquete masculino dos Estados Unidos é um produto que gera lucro e é vendido para o mundo todo. Em qualquer país as pessoas já ouviram falar de Michael Jordan, Kobe Bryant, Lebron James ou Kevin Durant. Agora eu pergunto a você, caro leitor (a): vocês conhecem Lauren Jackson, Diana Taurasi, Becky Hammon, Tamika Catchings ou Maya Moore? Com muito esforço devem conhecer a australiana Lauren Jackson, que, apesar de ser uma atleta fantástica, é mais popular entre os homens por suas belas curvas.

Depois de passar anos perdendo, o Minnesota Lynx formou um time forte e ganhou o último título. Sinal de que a liga está mudando?

Depois de passar anos perdendo, o Minnesota Lynx formou um time forte e ganhou o último título. Sinal de que a liga está mudando?

Para finalizar, pesquisas dizem que nem o próprio americano se interessa por seu campeonato feminino. Nos gráficos de audiência, até o basquete universitário, que é muito popular nos EUA, ganha da WNBA. Há algo muito errado nisso – e tem que ser corrigido urgentemente. O fato positivo é que a liga é bastante jovem, tem apenas 15 anos de existência, e ao longo desses anos muitas coisas mudaram e grandes melhorias foram feitas. Sendo assim, vamos esperar e ver o que se sucede nas próximas temporadas.

  • O texto acima foi feito para o Spurs Brasil em 2008 e adaptado agora em 2012

Uma resposta para “As disparidades que rondam o basquete americano

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